‘Investimento na categoria de base é principal carência do futebol feminino', afirma Arthur Elias

Treinador do Corinthians Audax fala sobre a importância do sub-17 no time de Osasco, e a preparação para o Campeonato Brasileiro

Foto: Gabriela Montesano/Osasco Audax

O futebol feminino irá movimentar bastante a região oeste em 2017. Além da parceria entre o Corinthians e o Audax que resultou no título da Copa do Brasil do ano passado, será apresentada nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, o Audax Unip. Fora isso, ainda haverá uma equipe sub-17 montada pelo clube para o Campeonato Paulista.

Um dos principais responsáveis pelo começo dos trabalhos das categorias na cidade é o técnico Arthur Elias, que segue com o Corinthians Audax, que jogará na Arena Barueri o Campeonato Brasileiro. "Tem aumentado bastante a procura de jogadoras jovens", afirma, sobre os projetos que o clube osasquense abraçou para este ano.

Nesta entrevista, o treinador avaliou as mudanças do Campeonato Brasileiro, com uma primeira fase mais longa, como positivas e comandará uma equipe que manteve boa parte do grupo vencedor da Copa do Brasil no ano passado. Foram para a Europa, Chú Santos e Iza. Entre os reforços, o time conta com a chegada da lateral Fabi, jogadora da seleção brasileira, e outras que já passaram pelas categorias de base, como Alana, Geisy e Ana Vitória, caçula do grupo com 16 anos.

Curiosamente, o treinador tem como um dos primeiros adversários o próprio Audax Unip, mas afirma que os trabalhos estão sendo tocados de forma separada. "São totalmente diferentes. É interessante mais um projeto para o futebol feminino, ganha a cidade", afirma. O outro projeto foi iniciado, pois o Audax também conquistou uma vaga no Brasileiro pelo título na Copa do Brasil. Antes a vaga no nacional pertencia apenas ao Corinthians.

O Corinthians estreia domingo (12) contra o São Francisco, fora de casa. No mesmo dia, o Audax Unip recebe o Sport, no Rochdale. Confira a entrevista:

Como avalia o novo formato do  Campeonato Brasileiro, com dois grupos com 8 times cada? Ficou mais interessante pelo volume de jogos maior. Tem mais partidas para algumas equipes que jogavam pouco na primeira fase. Será mais longa e com duas divisões, o que sempre fui um defensor. Torna o nível competitivo mais alto e numa segunda divisão você cria um acesso, para os clubes que iniciam na modalidade. Foi dado um passo no desenvolvimento do futebol feminino.

Como tem sido a preparação do Corinthians Audax? Os trabalhos começaram faz cinco semanas, estamos com um bom tempo de pré-temporada, foi um período suficiente, mantivemos a base do grupo do ano passado, com a manutenção de boa parte do elenco e dos profissionais. Manter a base junto com o tempo de preparação são dois fatores que vão nos ajudar.

Qual sua avaliação sobre os adversários do grupo? Acho um grupo equilibrado, algumas equipes com tradição no futebol feminino, como o São Francisco do Conde (BA), que tem mais de 20 anos na modalidade, 14 títulos estaduais. O Kinderman (SC), o Iranduba se reforçou muito bem e pelo peso da torcida lá. O Audax Unip que foi montado com algumas atletas experientes e outras jovens promissoras. O Sport é o primeiro ano no futebol feminino, é um clube grande, de camisa, investiu num grupo jovem, com algumas meninas da região e outras que saíram de São Paulo. E o Grêmio pela estrutura, jogar na Arena, imagino que também vamos ter dificuldade.

A conquista da Copa do Brasil aumenta a responsabilidade e até a dificuldade que os adversários vão impor este ano? Sem dúvida nenhuma, a gente já sentia no ano passado uma dificuldade grande por todas as equipes irem muito concentradas, determinadas, para mostrar o trabalho contra a gente, e o título sem dúvida traz esse olhar de todas as outras equipes, que queiram vencer. É uma dificuldade a mais, mas vamos trabalhar para enfrentar, sabemos que todos os jogos serão difíceis.

Osasco terá o Audax Unip, como vê isso e há algum contato? A gente não tem nenhum contato. O que aconteceu foi uma vontade de permanecer com a parceria [do Corinthians] com o Audax, pelo ano de sucesso que a gente teve em 2016 e as duas diretorias entenderam que era importante. Mas o Audax precisava ter uma equipe representando, porque não poderia abrir mão dessa vaga do Brasileiro e do Paulista. E foi feito a parceria com a Unip, é interessante mais um projeto para o futebol feminino, o apoio do Mário Teixeira [proprietário do Audax]. Ganha a modalidade e a cidade de Osasco, com dois times representando. Em relação ao trabalho em si são totalmente diferentes.

Qual a expectativa com relação a Arena Barueri? Fizemos um jogo na Arena contra o Francana ano passado. É um estádio ótimo assim como o Rochdale, são dois bons gramados. Tem perfeitas condições, é muito estruturado e se tiver que fazer o campeonato todo lá, vamos tornar ali a nossa casa.

Osasco também terá um time sub-17. Qual a importância de ter tantos times para estimular a prática do futebol feminino? Tem aumentado bastante a procura de jogadoras jovens. Acho que é um reflexo social importante porque quando a gente fala em categoria de base, fala em formar atletas, formar cidadão. As meninas veem que a oportunidade está mais próxima. Considero o investimento na categoria de base a principal carência do futebol feminino hoje e tem que ser a principal preocupação. Fiquei muito contente que o Audax tenha entrado no sub 17 e ter 17 clubes participantes mostra que existe o futebol feminino de base, falta oportunidade.

Também tem reforçado o alto rendimento? A gente tem sentido isso. São jogadoras de expressão, tanto nacional quanto internacional. Hoje reconhecem o trabalho que a gente faz, um trabalho de referência no Brasil, a gente tem pouca dificuldade quando queremos contratar jogadoras, porque a maioria entende que a estrutura é boa e o trabalho é sério, até internacionalmente.

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Quinta, 19 Outubro 2017
 
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