'O kung fu está crescendo bastante, mas precisa de apoio'

Bicampeã sul-americana, a barueriense André Teodoro, de 20 anos, fala sobre a participação nos Jogos Universitários e busca patrocínios para 2018

Foto: Divulgação

Andrea Teodora, 20, pensou em treinar caratê quando tinha 14 anos, mas ao parar para acompanhar o kung fu, não mudou mais. Moradora de Barueri, a atleta da categoria kung fu wushu é bicampeã sul-americana e tricampeã brasileira. Os bons resultados fizeram com que ela disputasse as últimas Olimpíadas Universitárias em Taipei, Taiwan, representando a Universidade de Barueri. Nesta entrevista, ela fala sobre a modalidade e a busca por patrocínio em busca de representar o Brasil no Pan Americano que será disputado na Argentina.

Como foi a participação na Olimpíada Universitária? Me sinto muito feliz sempre que posso representar o meu país. Para chegar até lá, disputei o brasileiro universitário, a LDU (Liga de Desporto Universitário), e fui convocada para CBDU (Confederação Brasileira de Desportos Universitários). Eles me chamaram, pagaram tudo, representei o Brasil e fui a única da minha categoria, Wushu moderno. Do Brasil, foram oito pessoas sendo que três eram do combate e cinco pessoas eram de demonstração.

Qual sua avaliação da sua participação? Eu me surpreendi bastante comigo mesma, mas não tive a nota que eu queria na classificação, por conta dos equipamentos. Infelizmente a sapatilha caiu do meu pé, nisso perdi alguns pontos. Mas foi um grande sonho para mim. Competi com minha ídola, a Yi li, de Macau, na China, que ganhou o primeiro lugar em todas as categorias. Tirando os erros técnicos, foi muito bom, nunca tinha participado de um campeonato tão grande, foi um dos melhores campeonatos da minha vida.


Quando você começou e o que a levou ao kung fu? Eu treino, no antigo GRB. Eu comecei bem cedo na ginástica, aí por alguns motivos pessoais eu saí, e entrei na dança. Fazia Jazz. Depois de muito tempo, a professora ficou grávida e parou de dar aulas. E eu queria fazer algum esporte e um amigo indicou o kung fu. Fui praticar, mas com a intenção de entrar no caratê. No final, entrei na aula de kung fu e fiquei lá mesmo, e nem fui na sala do caratê.

Quando participou da primeira disputa internacional? Foi em 2015. Eu participei do Sul-Americano no Paraguai e, em 2016, fui convidada para o Pan Americano no Texas, porém, eu tentei duas vezes o visto e eles negaram e não pude ir. E este ano, eu participei do Sul-Americano no Uruguai. No Paraguai peguei dois ouros e neste ano peguei mais dois. Sou bicampeã.

Como avalia a modalidade? Então, o kung fu está crescendo bastante, ele estava disputando com o caratê para entrar nos Jogos Olímpicos. Este ano entrou nos Jogos Universitários. Está crescendo e as pessoas estão vendo que é um esporte bonito de se ver e ele é dividido em várias áreas, do combate, a parte com armas, a tradicional, além da história. O kung fu foi a mãe de todas as artes marciais. Aqui em Barueri o kung fu é bem grande, se não me engano, no GRB ele só perde para o caratê em número de alunos.


Nos últimos anos, houve dificuldade para conseguir se manter na modalidade?
Sim. Em 2015 teve o fim do apoio [da prefeitura às modalidades], mas pensei que nada ia abalar meu amor ao meu esporte eu continuei. Mesmo às vezes tendo de cortar algumas coisas, poderia estar numa festa, eu cortava o dinheiro da festa e ia pagar a minha inscrição, eu não comprava alguma coisa para ter o equipamento, então eu fazia escolhas para conseguir competir. Hoje tem o apoio nos treinos e em alguns campeonatos da secretaria, com o Barueri Esporte Forte.

Há dificuldades para conseguir participar? Sim, porque eu para cada campeonato, para a seletiva paulista, brasileiro, campeonato sul-americano, ou mundial, sai ainda do meu bolso. São gastos com alimentos e equipamentos e ao mesmo tempo é triste, pois representamos o nosso país, mas o país não nos valoriza. De vez em quando custeio com trabalho, ou peço ajuda para os meus pais, mas de vez em quando não consigo pagar e deixo de ir no campeonato porque é muito caro, tem que pagar inscrição e ainda a viagem e a hospedagem.

Quais os próximos planos? Vou ter o treino da seleção agora em dezembro e se conseguir apoio vou ter o Pan Americano na Argentina, o Mundial Universitário, vai ter a seletiva paulista, brasileiro e o campeonato LDU. Estou buscando patrocínio ou parcerias (meu contato é Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou Face Andrea Teodora Dedeia). 

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Quinta, 19 Outubro 2017
 
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